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Pesquisadores da Fiocruz identificam alterações nas variantes do coronavírus no Brasil

As mutações aconteceram na proteína Spike, que permite a invasão do vírus nas células do nosso corpo, e podem reduzir a capacidade de reação dos anticorpos.

Segundo levantamento do Imperial College, de Londres, cada cem pessoas contaminadas pelo coronavírus no Brasil transmitem a doença para outras 123. Pesquisadores da Fiocruz identificaram uma nova mudança na estrutura de variantes do coronavírus que circulam no país. É uma mutação ainda rara que pode reduzir a capacidade de defesa dos anticorpos.

Os pesquisadores da Rede Genômica da Fiocruz já analisaram amostras de pelo menos 2 mil pacientes de Covid desde o início da pandemia e agora encontraram, pela primeira vez, alterações importantes na estrutura do vírus em 15 amostras que vieram de sete estados: Rondônia, Amazonas, Maranhão, Bahia, Alagoas, Minas e Paraná.

A mutação aconteceu na proteína Spike que permite a invasão do vírus nas células do nosso corpo. Essa mudança pode fazer com que a Spike não seja reconhecida ou que seja reconhecida apenas parcialmente pelos anticorpos. É como se o vírus pudesse ficar invisível.

A pesquisadora da Fiocruz, Paola Resende, explica que essa alteração foi encontrada nas variantes brasileiras N9, P2 e na P1, que é predominante no momento, e que, até então, elas não tinham apresentado a alteração, já comum nas variantes do coronavírus no Reino Unido e na África do Sul.

“Investigar a disseminação, o quanto essas variantes, essas linhagens circulam na população e identificar de forma rápida é muito bom para a gente conseguir adotar medidas estratégicas de contenção do vírus também”, explicou a virologista.

Gabriel Wallau, pesquisador da Fiocruz em Pernambuco, chama a atenção para o fato de a variante P1 acumular alterações em tão pouco tempo. “A luz vermelha que se acendeu é que nós encontramos essa nova modificação no contexto do genoma dessa variante P1. A variante P1 já tinha uma quantidade de diferenças que provavelmente deixam ela mais transmissível, e agora nós encontramos essa outra diferença, acumulando assim provavelmente algum efeito”, relatou o biólogo.

A próxima fase do estudo é testar o comportamento do vírus com mutação no soro retirado do sangue de pacientes que já tiveram a Covid e que têm anticorpos contra a doença. Os pesquisadores afirmam que – se for preciso – as vacinas poderão ser adaptadas para combater a alteração, como a vacina da gripe que muda todo ano. Mas ressaltam que é preciso evitar novas dificuldades em uma situação que já é de extrema gravidade.

Os cientistas deixam claro que, por enquanto, a alteração encontrada agora é rara e não é predominante nas variantes do coronavírus que estão circulando no Brasil. Mas a descoberta é mais uma prova de que o vírus está se modificando rapidamente e ganhando tempo com a vacinação lenta e o número cada vez maior de infectados.

“Esse contexto de pandemia descontrolada é o celeiro que permite, nós estamos dando oportunidade para o vírus adquirir novas variantes, testar novas variantes dentro da população humana. Nós precisamos urgentemente controlar a transmissão viral para dar menos oportunidade para o vírus de se replicar”, comentou Gabriel Wallau.

Em um novo boletim, a Fiocruz defendeu medidas rígidas para bloquear a transmissão da Covid nos locais que estão na zona de alerta crítico. No momento, só Amazonas e Roraima estão fora dessa zona crítica. As principais recomendações da Fiocruz são a restrição de atividades não-essenciais por cerca de 14 dias e o uso obrigatório de máscaras por pelo menos 80% da população (G1).

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