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Governo baiano revoga trabalho remoto para servidor com mais de 60 anos

Uma decisão inesperada do governo do estado deixou boa parte do funcionalismo público surpresa. Publicada na edição do último sábado, 24, do Diário Oficial do Estado da Bahia, o governador Rui Costa revogou o trabalho remoto para os funcionários com 60 anos de idade em diante. Esse público se enquadra no risco de agravamento para quem é infectado com o coronavírus e consequentemente contrai a Covid-19. Junto a esta medida, o governador também alterou de 100 para 200, o número máximo de pessoas em eventos.

Em nota, o governo informou que os servidores com algum tipo de comorbidade vão permanecer em trabalho remoto.

A coordenadora jurídica da Federação dos Trabalhadores Públicos do Estado da Bahia, Marinalva Nunes, criticou a decisão do governo. Para ela, esse retorno pode “levar por água abaixo” tudo o que foi conquistado para conter a propagação do vírus em Salvador e no interior do estado.

“As medidas tomadas com a unidade criada pelo governador e o prefeito de Salvador, para conter esse avanço da doença, precisam ser preservadas. Retomar um trabalho de forma presencial com este público, tende levar tudo a perder”, argumenta.

Em uma publicação no Twitter, o secretário de Saúde, Fábio Villas Boas alertou para “uma retomada do processo de contágio do coronavírus no estado”. Villas Boas disse que ainda não se pode falar em segunda onda da pandemia, como está ocorrendo na Europa. Porém os dados, de acordo com ele, alertem sobre as consequências do descontrole que está ocorrendo em algumas cidades.

O servido público, D.L, 65 anos, diz que não se sente seguro em estar por pelo menos 8 horas, em um ambiente fechado com mais outras pessoas, ainda que com equipamentos de proteção. “Nunca faltei ao trabalho. Ficar doente era muito difícil acontecer e não me impedia. Desta vez é algo necessário, já que é o vírus um inimigo escondido”, ressaltou

A médica infectologista, Clarissa Ramos, recomenda que se busquem formas das pessoas como os idosos, gestantes ou portadores de comorbidades ficarem em casa com o trabalho remoto.

“Assim seria o ideal, afinal quando a gente detecta essa piora e os números aparecem, é porque o vírus já está circulando a algum tempo. Muitas vezes tomamos decisões que são tardias, pois para que se detecte casos graves e avaliar óbitos, só após a fase de alguns dias de doença. Esse período inicial da doença, as pessoas já estão transmitindo, elas já estão passando adiante e aí fica mais difícil ter o controle”, afirma.

A especialista explica que a fase ainda é incerta e não dá para prever o que pode vir pela frente. “A gente tem que se espelhar nos países que a pandemia começou, que foram os países europeus. Assim poderemos avaliar e até dizer que exista a possibilidade de termos uma segunda onda de casos aqui no Brasil”, finaliza.(A Tarde)

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