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Para fugir de crise na Venezuela, indígenas se refugiam na Bahia e enfrentam dificuldades na adaptação

Um grupo com cerca de 24 indígenas da etnia Waraó, da Venezuela, chegou em Feira de Santana, cidade a cerca de 100 km de Salvador, para fugir da crise financeira e social que o país sulamericano se encontra. A adaptação dos venezuelanos tem sido um desafio para as autoridades do município.

Além das diferenças culturais, os indígenas não falam português e não têm a documentação exigida pelo Brasil, para que o direito aos refugiados sejam garantidos. Para sobreviver, o grupo tem recebido donativos da prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social.

Os venezuelanos estão morando em uma espécie de vila, que fica no bairro Mangabeira. As casas foram alugadas pela secretaria, e eles podem ficar por três meses. Como não trabalham, eles conseguem dinheiro através de pedidos no sinal de trânsito.

Os venezuelanos não quiseram gravar entrevista. Segundo a diretora da Proteção Social Básica da secretaria, Ione Mansur, cursos profissionalizantes foram oferecidos para o grupo, mas eles não se adaptaram.

“Lá na Venezuela, eles viviam de uma forma artesanal, que é da cultura deles. E aqui eles não têm costume de trabalhar, como por exemplo sendo pintor, um pedreiro. Qualquer curso que a gente venha a oferecer, eles não vão se adaptar. Eles não querem, não aceitam, eles não têm essa formação”, disse Ione.

A diretora conta também que além disso, os indígenas estão com dificuldade em guardar os alimentos que são fornecidos pela prefeitura.

“Eles não têm a cultura de guardar os alimentos. Se você der 15 galinhas para eles, eles comem as 15 hoje. Se der 20, eles comem as 20, colocam tudo no fogo de uma vez. A gente tem dado fardos de arroz, fardos de macarrão, porque é o que eles mais comem. Eles também comem galinha, peixe. E eles desperdiçam demais, a gente vê tudo jogado. Se der um pacote de biscoito, eles comem aquele pouquinho e o resto jogam fora”, pontuou Ione.

Ione ponderou ainda que a prefeitura já está em contato com a Embaixada da Venezuela, para que o grupo possa regularizar os documentos de identificação.

“Vamos entrar em contato com a embaixada deles e também com a Polícia Federal, para regularizar essa questão dos documentos, e isso aí já é um outro processo que a gente já está vendo. A gente já está procurando resolver essa situação”, disse ela.

O secretário de Desenvolvimento Social de Feira de Santana, Pablo Roberto, disse que, sem os documentos de identificação dos venezuelanos, a prefeitura tem dificuldade em continuar ajudando o grupo.

“Tudo aquilo que estava ao nosso alcance foi feito. Colocamos a nossa equipe à disposição, cumprimos todos os nossos protocolos de saúde, a nossa equipe de abordagem, a nossa equipe do Cras, do CREAS, tem feito atendimento a essas pessoas. Nós fizemos, inicialmente, um encaminhamento a um abrigo, em uma parceria com uma comunidade Jesuítas, fornecemos alimentação, mas ainda assim eles insistem em estar nas ruas, submetendo seus filhos a situações de vulnerabilidade. Nós agora, adotaremos outras providências que é: fazer uma intervenção junto à polícia federal e também à embaixada deles aqui no Brasil, para que possam, inclusive, fazer com que eles possam retornar ao seu país de origem”, avaliou Pablo. (G1/Ba)

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