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Médico do esporte responde: posso treinar com gripe, em jejum, menstruada?

Seja com gripe, menstruada ou apenas com preguiça, tem dia que a gente se pergunta se vale a pena mesmo sair da cama mais cedo para ir à academia, não é? A questão é que se em alguns dias é preciso muito esforço para manter a motivação, em outros a melhor coisa a fazer é escutar o corpo e tirar o dia para descansar. Mas como saber quais são os sinais que o organismo dá? O médico Thiago Righetto, ortopedista e especialista em traumatologia do esporte e cirurgia do joelho 

1 – Posso treinar com gripe ou resfriada? 

Muita gente fala na “regra do pescoço”: se os sintomas de gripe ou resfriado atingirem regiões acima do pescoço (como coriza nasal, tosse ou dor de garganta), você pode ir treinar sem problemas. Agora se os sintomas forem abaixo dele (como dor no peito ou dificuldade de respirar), é preciso ficar em casa. 

Mas não é bem assim. Thiago Righetto explica que a regra é até válida, mas com algumas ressalvas. “Os riscos de praticar atividade física com alguma doença pulmonar são realmente sérios. Mas os problemas ‘acima do pescoço’ também têm importância. Quadros alérgicos ou infecciosos, como uma sinusite ou produção de muita secreção, podem atrapalhar bastante a prática”, ele diz. 


Treinar com febre ou em estado febril também não é indicado, pois a regulação térmica do corpo fica prejudicada, e treinamentos muito intensos podem elevar ainda mais a temperatura corporal. O que pode gerar quadros graves de choque térmico.


Por outro lado, exercícios regulares ajudam a aumentar a imunidade e, com isso, diminuem as chances do resfriado aparecer. Mesmo assim, o médico recomenda que o melhor a fazer é prestar atenção nos sinais que o corpo dá. “Qualquer quadro gripal associado a cansaço extremo, falta de ar e piora da dor no corpo são sinais que a atividade física deve ser suspensa imediatamente. Alguns medicamentos para gripe possuem descongestionantes e que aumentam a frequência cardíaca, levando a falta de ar, vertigem e, em casos mais graves, arritmia.”
2 – Posso treinar em jejum?

Depende do tipo de treino e de seu condicionamento físico. “A literatura científica mostra que nos treinos aeróbicos mais leves, voltados para a perda de peso, o jejum queima gordura. Porém ainda são necessários mais estudos para comprovar essa teoria. E alguns mostraram que a queima não é acompanhada de perda de peso na balança”, diz Thiago Righetto. 

Ele ainda explica que nos exercícios de maior intensidade, o jejum pode levar a uma perda de massa muscular. Isso porque o corpo pode utilizar as células musculares para produzir energia, uma vez que o estômago estará vazio. “Sem falar no risco de vertigem e desmaio”, complementa. 
3 – Posso treinar menstruada? 

A resposta também é mais individual. “Depende da fase do ciclo menstrual, e dos sintomas que a mulher sente. O ideal é adaptar os treinos conforme a disposição. Nas fases de mais dor no corpo, fadiga e cólica, vale optar por treinos mais leves, como os regenerativos”, afirma o médico. 
4 – Posso treinar com dor de barriga? 

Nesse caso, fique atenta: a atividade física pode te dar ainda mais dor de barriga. Isso porque os exercícios com movimento aceleram o funcionamento do intestino, o que pode te obrigar a sair no meio da aula para correr para o banheiro. Já a atividade que é mais parada, e mesmo assim de alta intensidade, causa o efeito contrário, mas também não é indicada. “Ela reduz o fluxo sanguíneo para o intestino. E quando associada a alterações hormonais e outros fatores como a dieta e nível de hidratação, aumenta a dor de barriga”, diz Thiago. 
5 – Posso treinar sem beber água? 

Não pode e não deve. “A desidratação diminui o rendimento e traz consequências muito graves, como convulsões e morte”, afirma o médico. Mas o excesso dela também não é bom, sabia? “Principalmente em provas de longa duração, como maratonas, a hiper-hidratação pode levar a um quadro de hiponatremia associada ao exercício (HAE), que nada mais é que a baixa concentração de sódio no corpo. Causa dor de cabeça, vômito e, nos casos mais graves, convulsões.” (Boa Forma)

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