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Tarefas domésticas: pesquisa mostra porque sempre sobra mais para alguém

Quando o assunto é trabalho doméstico, a maioria dos estudos que abordam o tema levantam a questão de quem, em um relacionamento – geralmente amoroso -, acaba se tornando mais responsável pelas tarefas de casa e suas consequências. Mas neste novo estudo, pesquisadores norte-americanos investigaram o que leva uma pessoa dentro de um relacionamento – amoroso ou não, do mesmo gênero ou não também – a assumir mais responsabilidades dentro de casa. 

A consequência é o conflito, mas por quê?
Sarah Riforgiate, que é assistente de estudos da comunicação na Universidade Estadual do Kansas, baseou sua pesquisa em um outro estudo sobre insetos – abelhas, formigas – e a divisão do trabalho. Nesta pesquisa, entomologistas descobriram que os insetos têm diferentes limiares de tolerância para as tarefas não concluídas. Se as abelhas com diferentes limiares são emparelhadas, aquela com menor quantidade de pólen, por exemplo, passa a trabalhar mais, às vezes até a morte. Neste novo estudo, Sarah e uma equipe da Universidade Estadual do Arizona, buscaram verificar se estes limites também existiam nas relações humanas e quais os efeitos. Primeiro eles examinaram colegas do mesmo sexo que viviam juntos e descobriu que, obviamente, os diferentes limiares existem entre os seres humanos também. 

“Se temos diferentes limiares, estamos mais propensos a ter menor grau de satisfação relacional”, diz Riforgiate. “E nós estamos muito mais propensos a ter conflitos.” Parece óbvio, mas os conflitos nascem porque se uma das pessoas fica mais incomodada do que a outra, logo a que tem um nível menor de tolerância vai estar fazendo mais tarefas – que não eram suas. Com a adoção destas tarefas cotidianamente, o companheiro passa a encarar a situação como se aquelas tarefas não fossem mais suas. Da mesma forma, em um relacionamento amoroso, quando os companheiros têm diferentes níveis de limite, os casos repetidos deste comportamento levam um companheiro a encarar estas tarefas como o trabalho da outra pessoa, o que foi observado em outro experimento realizado com casais. “Então não precisamos mais ser gratos ou tentar compensar de alguma forma, porque é seu trabalho”, completa a autora.

E, segundo a pesquisa, este limite ou intolerância não tem nada a ver com questões de gênero, ou seja, as mulheres não são menos tolerantes para a bagunça do que os homens, por exemplo. “As mulheres têm um sentido um pouco melhor de olfato. Homens e mulheres têm um número diferente de cones e bastonetes em seus olhos. Os homens são melhores em ver o movimento, e as mulheres são melhores em enxergar cores e texturas. Estas pequenas diferenças biológicas podem contribuir para diferenças nos níveis de limiar”, diz Riforgiate. Para a equipe, os resultados têm implicações práticas. Segundo Sarah, é difícil para o casal enxergar o que está atrapalhando o relacionamento. “Geralmente fazemos comentários negativos sobre as pessoas que vivem conosco – amigos ou namorados – que não são úteis para o relacionamento e podem, na verdade, não ter nada a ver com o que realmente está acontecendo. Não é simplesmente preguiça, é uma questão que pode ser trabalhada.” Com o aprofundamento da pesquisa, eles esperam desenvolver estratégias de comunicação explícita para melhorar os relacionamentos. “Considerações especiais podem ajudar no emparelhamento de companheiros de quarto ou ajudar os casais a terem conversas importantes antes de viverem juntos”, conclui Riforgiate. (Oqueeutenho)

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