José Ronaldo vai arriscar apoio a Bolsonaro?

O PSL da Bahia anunciou que vai marchar com a candidatura de José Ronaldo (DEM) ao governo do Estado em 2018. A medida foi tomada depois de um pequeno ensaio para lançar uma candidatura própria com o objetivo primordial de criar um palanque para a tentativa do deputado federal Jair Bolsonaro chegar ao Palácio do Planalto. Sem tempo para articular algum nome viável – ou mesmo inviável –, o PSL se viu obrigado a marchar com o democrata.
Com esse apoio, fica exposta uma situação antecipada pelo Bahia Notícias ao longo do processo de construção das chapas nacional e estadual: a possibilidade de um palanque baiano ter mais de uma candidatura ao Palácio do Planalto. O DEM de José Ronaldo anunciou na semana passada que vai apoiar Geraldo Alckmin (PSDB) na corrida presidencial. Porém o PSL da Bahia ganha o direito de pedir espaço para divulgar a candidatura de Bolsonaro durante os eventos em que a chapa do DEM organizar.
Não há incoerência legal nisso. No máximo um questionamento sobre qual o melhor projeto para o país na opinião daqueles que integram o arco de alianças em torno do candidato democrata. E percebe-se que serão explícitos pontos que aproximam o grupo político de José Ronaldo mais da direita do que o chamado centro pregado no plano federal.
Façamos um parêntese sobre o PSL baiano. A sigla ameaçou crescer quando Marcelo Nilo se filiou e levou consigo outros cinco deputados estaduais há dois anos. Chegou em 2018 nanico. Nilo abortou a permanência na sigla em meio à perda de apoio de antigos aliados quando deixou a presidência da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). Como se não bastasse a inexistência no Legislativo estadual, a legenda perdeu o único representante na Câmara de Vereadores de Salvador, José Trindade, que tenta uma cadeira de deputado estadual pelo Podemos.
Voltando à realidade da corrida eleitoral do próximo mês de outubro. Enquanto o principal articulador do DEM, o prefeito de Salvador, ACM Neto, deve engrossar a campanha por Alckmin, José Ronaldo não deve escorraçar o apoio do PSL, ainda que o partido não tenha tanta representatividade. Qualquer ajuda é bem-vinda quando se corre contra um candidato à reeleição como Rui Costa e não deixa de ser interessante surfar na onda “bolsonarista” que aparece nas pesquisas eleitorais.
Todavia, ainda fica uma incógnita sobre como se comportará o candidato ao governo baiano quando – e se – Bolsonaro vier para a Bahia. Aceitará José Ronaldo o apoio do PSL sem nada a oferecer em troca? Ele vai correr o risco de afastar quem não concorda com as posturas do presidenciável, que nem ao menos conseguiu articular apoio no plano nacional? Ou irá o ex-prefeito de Feira de Santana incorporar o espírito radical do deputado federal? Só a campanha poderá responder a essas perguntas.
Este texto integra o comentário desta segunda-feira (30) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM e Clube FM.

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