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“Cristãos correm o risco de se tornar fariseus digitais”, avalia estudioso

Um dos editores da revista inglesa Premier Christianity, Martyn Eden, fez uma análiseda multidão de opiniões nas redes sociais em publicações sobre temas cristãos. Ele acredita que, infelizmente, a maioria dos cristãos demonstra um tom de arrogância em debates nas redes sociais, sempre correndo o risco de serem rejeitados como fanáticos religiosos. “Você já se sentiu envergonhado do modo como alguns cristãos se expressam, em um legalismo fanático, revelando a antítese da vida e dos ensinamentos de Jesus?”, questionou. Convertido há 51 anos, sendo autor de livros e artigos para revistas cristãs, Eden lamenta que “cristãos correm o risco de se tornar fariseus digitais”. Ele argumenta ainda que “alguns dos comentários que tenho lido são tão desagradáveis ​​que é difícil pensar que vieram de alguém que tenha entendido a centralidade da graça e do amor que caracterizou a vida e o ensino de Jesus. Há uma enorme diferença entre levar a sério a doutrina cristã e usá-la para agredir verbalmente qualquer pessoa com quem se discorde”. Avaliando assuntos que geraram grandes discussões não só no Reino Unido, mas em várias partes do mundo, ele destacou que o sermão do Bispo Curry no casamento de Harry e Meghan ilustra bem isso. Apesar de Curry ter pregado uma mensagem cristã, transmitida para cerca de dois bilhões de pessoas que acompanharam o casamento real, muitos preferiram atacar a pessoa do bispo. Ele sabidamente defende a validade do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

“Isso é um problema real, mas não foi citado em seu sermão e ninguém poderia cobrir todas as doutrinas cristãs em um sermão de casamento de 13 minutos”, avalia Eden, que não concorda com as pessoas atacando Curry, muitas vezes com insultos. Outro assunto que mostra essa divisão acirrada de opiniões entre cristãos e faz uns agredirem violentamente os outros é a possibilidade de legalização do aborto. “É uma questão moral e espiritual complexa e a visão cristã tradicional é pela vida”, argumenta Eden, mas ele também diz que isso não justifica “as respostas extremistas” onde se condena ao inferno quem discorda que possa haver exceções, como ocorre em muitos países em que a lei permite em casos de aborto e quando a mãe corre risco de vida. “As mulheres no ministério cristão é outro exemplo que evoca hostilidade e comportamento antibíblico… Via de regra, eles citam passagens como a declaração de Paulo em 1 Timóteo 2:12, onde a mulher não deveria ensinar um homem e que ela deve manter-se calada”, destaca o editor da Premier.

“Ao mesmo tempo eles falham em reconhecer que há mulheres com posição de liderança no NT como Priscilla (Atos 18: 24-26)… e ignoram o papel das mulheres no ministério de Jesus (Lucas 8: 1-3); sua importância nos relatos sobre a ressurreição de Jesus (Lucas 24: 9-11 e João 20: 11-180); e seu envolvimento na fundação da igreja (Atos 1:14).” A conclusão de Eden é que, na perspectiva cristã, as manifestações online deveriam revelar a disposição para o debate e até a correção, mas não com ataques irascíveis. “Todas as nossas diferenças deveriam ser expressadas com graça e amor. Se queremos falar como cristãos, temos que lembrar a centralidade da graça e do amor no ensino de Jesus. Isso inclui amar aqueles com quem discordamos (Mateus 5: 43-47). Se desejamos mostrar que somos semelhante a Cristo, precisamos nos manifestar sem arrogância e ódio”.

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