Crianças são maiores alvos de estupro no país

As crianças são as maiores vítimas de estupro no Brasil, segundo revelado no Atlas da Violência de 2018. O estudo, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta que 50,9% dos casos registrados de estupro em 2016 foram cometidos contra menores de 13 anos de idade. Além disso, 32,1% dos casos vitimam adultos e 17% adolescentes. O número de casos registrados, porém, ainda não é representativo da realidade da violência cometida contra a mulher no Brasil. Como notado no estudo, as polícias brasileiras recolheram um total de 49.497 registros de estupros em 2016. É mais do que o dobro dos casos atendidos no Sistema Único de Saúde, que atendeu 22,918 casos no período. Para contextualizar o número, o Atlas da Violência apontou a taxa de subnotificação de casos dos Estados Unidos. Lá, apenas 15% dos estupros são de fato notificados à polícia. Se a taxa brasileira for próxima ao exemplo americano, significaria que o país sofre com algo em torno de 400 mil estupros anuais. O estudo também aponta uma alta taxa de recorrência nos casos de estupro. Em 2016, 42,4% das vítimas disseram não ser a primeira vez que sofriam com violência sexual. Nesses casos, a maioria dos autores dos crimes era conhecido das vítimas.
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Um dos principais espaços de violência contra a mulher não é na rua, e sim dentro das casas das próprias vítimas. No total, o Atlas da Violência mapeoou mais de 13 mil casos registrados como ocorridos dentro da casa da pessoa violentada. O ambiente prevalece especialmente nos casos de estupro cometidos por pessoas conhecidas da vítima. Nessa situação, a casa é a cena do crime em 78,6% dos casos. Uma das razões para isso é o perfil do agressor. No caso do estupro de crianças com menos de 13 anos, conhecidos e amigos da família são responsáveis por 30% dos crimes. Pais e padrastos vêm logo em seguida, com 12% cada.
AUMENTO DO FEMINICÍDIO
Outra faceta da violência contra a mulher no Brasil, o feminicídio, também aumentou ao longo da última década. De acordo com o Atlas da Violência, o número de casos registrados dos homicídios contra a mulher teve um acréscimo de 15,5%, acumulando um total de 4645 mortes só em 2016. Em alguns estados, como o Rio Grande do Norte e Amazonas, o crescimento alcançou a casa dos 130% entre 2006 e 2010. Contudo, o estado com a maior taxa de homicídios contra as mulheres é Roraima, onde há uma morte para cada 100 mil habitantes. A desigualdade social no país também se reflete nas estatísticas da violência contra a mulher brasileira. É o caso da questão racial: no Brasil, a taxa de homicídios contra mulheres negras é 71% maior do que contra mulheres não-negras. O primeiro grupo sofre com 5,3 assassinatos para cada cem mil mulheres, enquanto o segundo é vítima de 3,1 casos. A diferença se aprofunda caso levada em consideração a passagem do tempo: nos dez anos analisados, a taxa de assassinatos aumentou em 15,4% contra as mulheres negras. Entre as mulheres não-negras, porém, o número chegou a cair em 8%. (O Globo)


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