Saiba como reorganizar as suas finanças após os gastos de 2017

Jornalista e economista, Carol Sandler vivia uma fase de desencontro profissional quando, em 2012, decidiu criar o site Finanças Femininas. A ideia era oferecer orientações de gestão do dinheiro de forma simplificada e conectada com o cotidiano das mulheres. Acabou sendo convidada para palestras e eventos como a edição do TEDx São Paulo, em 2016, e lançou Detox das Compras (editora Benvirá). A publicação nasceu após a autora se impor o desafio de passar seis meses sem adquirir roupas, sapatos e acessórios, experiência que classificou como transformadora. Confira a entrevista de CLAUDIA com a Carol e participe desta reflexão sobre como usamos o dinheiro e a nossa relação com o consumo.1.Em seu livro, você diz que precisamos reconhecer os excessos e que nossa relação com o consumo não é saudável. É um comportamento comum aos brasileiros?

Temos uma relação peculiar com o consumo, e isso independe do poder aquisitivo. Vivemos em um dos poucos países do mundo onde compras podem ser parceladas. Logo, usamos muito o cartão de crédito e, se dá para parcelar, parcelamos, o que é uma grande armadilha, considerando as taxas de juros altíssimas, para as quais não costumamos atentar. Estamos inseridas em uma cultura forte de ostentação, onde ter é muito valorizado. Enquanto nega-se o básico para a maioria das pessoas – educação de qualidade é cara e um bom atendimento de saúde também –, no mundo do consumo é tudo fácil para todos os bolsos e por todos os meios. Então, comprar acaba compensando a falta de acesso a outras coisas e provoca uma sensação de pertencimento que não se alcança de outras formas.

2.O final do ano costuma ser mais crítico e repercute nos meses seguintes, ainda mais com as promoções da Black Friday e as compras de Natal?

Com certeza. Temos os presentes para a família, a roupa nova para a noite da ceia, o modelito branco para o Réveillon, uma infinita lista de “preciso comprar”. E a onda da Black Friday, que acontece no final de novembro, vem completar uma época que já era complicada para quem gasta desenfreadamente. Somos bombardeadas por ofertas imperdíveis e mil estímulos para alimentar a ânsia do imediatismo, um prato cheio para quem não pratica o consumo consciente.

3.Quem entrou no novo ano carregando dívidas antigas por onde deve começar a se organizar?

O primeiro passo é reunir tudo para avaliar o tamanho do buraco e entender as contas que se acumularam pelo excesso de compras supérfluas ou com gastos para manter o padrão de vida. Se tiver uma reserva, deve analisar o que é prioritário e tirar da frente. Não pode atrasar o pagamento. A partir desse ponto, é preciso definir como saldar o restante da dívida. Sendo ela mais alta com um ou vários cartões de crédito, por exemplo, vale pensar em um empréstimo pessoal para quitar tudo. Hoje em dia existem opções de crédito a juros bem mais baixos que os aplicados pelas operadoras de cartão, seja negociando no banco, seja com fintechs (empresas virtuais de produtos financeiros), que trabalham com boas condições.

4.Quais os cuidados ao buscar um empréstimo pessoal?

Aqui a sugestão é fugir das opções muito fáceis. O crédito pré-aprovado é sempre mais caro. Conseguir uma boa taxa dá trabalho e exige negociação. O caminho mais indicado é uma conversa com o gerente do banco ou da financeira, que passará o trâmite por uma avaliação de renda, histórico e outras variáveis que resultarão em uma taxa de juros mais interessante. 

5.É possível iniciar uma reserva com dívidas a pagar?

Quando se está endividada, o foco deve ser quitar a dívida. Até porque os índices de rendimento do dinheiro aplicado não compensam, principalmente quando comparados aos juros de cobranças. Primeiro paga-se tudo; só depois se começa a guardar dinheiro.

6.Quero poupar. Qual o primeiro passo?

Para guardar, é preciso gastar menos do que se ganha – o que parece simples, mas não é. Estabeleça uma meta e separe a quantia assim que o salário cair na conta. Aos poucos, vá aumentando, mas sem preocupação com os valores. Mais importante que o montante é manter a regularidade e se habituar a viver com menos.

7.Vale procurar um consultor financeiro?

Quando se organizar sozinha se torna difícil, o consultor pode colaborar. Existe preconceito em relação a essa figura. Porém, além de cuidar do seu bolso, ele pode ajudar a dar uma virada. É importante ser alguém idôneo e alinhado com os interesses de quem o procura. Há boas referências em www.financasfemininas.com.br e no portal da Associação Planejar.

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