Marcelo Odebrecht pós-prisão e os novos planos

Após dois anos encarcerado, na Polícia Federal em Curitiba para cumprir prisão domiciliar, Marcelo Odebrecht deixará a prisão na próxima terça-feira (19), trazendo com ele as mudanças que o cárcere proporcionaram ao ser perfil de superpoderoso empresário. Segundo matéria da Veja ele sai muito diferente do que era quando entrou. A Veja descreve Marcelo pós-cárcere como mais reflexivo, sob alguns aspectos, mais sereno e não ostentando a soberba que a publicação ilustra com a declaração à imprensa no dia 15 de junho de 2015, quando disse que estava “irritado” por ter sido colocado “na linha de fogo do embate político” e ainda que “nós, que geramos empregos!”, exclamando indignado. Quatro dias depois foi surpreendido pela Polícia Federal em sua casa e levado à carceragem de Curitiba. Permaneceu preso por 914 dias. Nesse período, ao menos uma característica Marcelo Odebrecht manteve intacta. O herdeiro condenado a dezenove anos e quatro meses de prisão, tornado delator, impedido por determinação da Justiça de comandar seu império e mesmo de pertencer aos quadros da Odebrecht por dez anos, não perdeu a ambição. 

Ainda de acordo com publicação, Marcelo Odebrecht sai da cadeia determinado a mostrar que a prisão não o aniquilou. Ele descobriu, por exemplo, que no documento de 85 páginas que estabelece as condições de seu acordo de delação não há impedimento para que atue como terceirizado da Odebrecht quando se encerrar o período da prisão domiciliar, em 2020. No regime aberto, portanto, teria a possibilidade de criar uma empresa que preste serviços, inclusive, àquela da qual foi afastado. Essa é apenas uma das hipóteses que constam da carteira de planos do empreiteiro para o futuro. Marcelo Odebrecht tem outros objetivos de curto prazo. Na holding familiar, a Kieppe, ele é detentor de cerca de 5% das ações (o que lhe permite uma retirada mensal aproximada de 10 milhões de reais, incluindo rendimentos e dividendos). Para não ser deixado de escanteio no controle da Odebrecht, dado que está rompido com o pai, Emilio, começou a construir uma aliança com dois primos, Francisco Peltier de Queiroz Filho e Emilio Odebrecht Peltier de Queiroz, que, juntos, detêm cerca de 10% da Kieppe. A aliança seria uma maneira de ele manter algum poder decisório na holding familiar e, consequentemente, no conselho de administração da Odebrecht, atualmente presidido por seu pai.

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