Baiana pagou inscrição do Enem, mas foi impedida de fazer prova

O que poderia ser a chance para uma completa mudança de vida, acabou se transformando em um pesadelo para Larissa Vieira, 24 anos. A estudante de Irecê, no Centro-Norte baiano, realizou o pagamento da inscrição para a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mas não pôde fazer a prova porque o sistema do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) não identificou o pagamento. Larissa conta que em julho de 2016 ela abandonou o curso de Administração de Empresas em uma faculdade particular, no sexto semestre, para estudar exclusivamente para o Enem. “Eu tranquei o meu curso porque não estava mais conseguindo pagar e queria, no Enem, a chance de conseguir uma bolsa para terminar a faculdade ou, se eu obtivesse uma nota boa, iria tentar cursar Medicina Veterinária aqui em Irecê”, relata. O pagamento da inscrição do Enem foi feito pela estudante no dia 24 de maio em uma farmácia da cidade, dentro do prazo instituído pelo Inep. “Os pagamentos são confirmados pelo Inep dois dias após o pagamento. Eu entrei no site e vi que a minha inscrição ainda constava como não paga e foi aí que começou a minha saga”, disse. A candidata imediatamente tentou contato com o telefone do Ministério da Educação (MEC), pelo qual nunca conseguiu contato. Após a negativa, enviou todos os documentos comprobatórios por e-mail para o Inep - comprovante de pagamento, RG, CPF, boleto. A resposta do Inep veio 15 dias depois: uma orientação para que Larissa procurasse o gerente do Banco do Brasil para que ele escrevesse um documento explicando a situação e comprovando que o pagamento havia sido feito. “O documento que ele fez comprova que eu fiz o pagamento de R$ 82 no dia 24, e que o valor entrou no banco, na conta do Inep, no mesmo dia que paguei. Eu mandei todos esses documentos ao Inep, eles me responderam dizendo que não acharam o meu pagamento no sistema. Depois disso, mandei diversos e-mails para eles, mas o órgão simplesmente parou de me responder”, contou. A estudante perdeu a primeira prova. Sem o registro do pagamento no Inep, ela foi impossibilitada de fazer o Enem. “Foi um transtorno enorme. Além do próprio pagamento, no valor de 82 reais, eu passei o ano inteiro estudando, tendo esperança de fazer a prova e acontece de simplesmente o valor sumir, ser impedida de fazer a prova e ninguém me dar alguma resposta é complicado”, desabafou. 

Justiça: Após o episódio, Larissa Vieira pediu orientação para o Juizado Federal da cidade, tentou suporte da Defensoria Pública, mas não pode ser atendida pela entidade porque a ação é contra o Governo Federal. Ela, então, buscou um advogado, que entrará com uma ação de reparação indenizatória contra o Inep. “Entrei com a ação, já que eu perdi o Enem e não tem mais como eu prestar essa prova. Foi uma complicação, porque eu não tenho dinheiro para pagar advogado. Mas consegui uma indicação de uma amiga e agora só quero resolver essa situação com o Inep”, disse. Até dezembro, Larissa ainda tem um cargo de auxiliar de classe em uma escola da zona rural. Ela conta que seguirá trabalhando e irá esperar as próximas oportunidades de vestibular. Para conseguir pagar as contas, a estudante está procurando outras oportunidades. “Eu já estou em busca de outros empregos, espero conseguir algo quanto antes”, disse. (CORREIO)

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