Sem citar negligência da Samarco, ministro chama tragédia em Mariana de "acidente" e "fatalidade"

Durante discurso nesta quarta-feira (2) em Nova York, o ministro das Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, se referiu ao maior desastre ambiental da história do Brasil, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, Minas Gerais, como um "acidente" e uma "fatalidade". Sem citar a responsabilidade da empresa Samarco, Coelho disse que a tragédia não tinha como ter sido evitada pois não há "controle sobre isso". "Nós tivemos recentemente o desastre de Mariana, que não contribuiu, mas aquilo tem que ser encarado como foi, de fato foi um acidente. Nós temos que trabalhar para que outros não ocorram, mas como uma fatalidade, você não tem controle sobre isso", disse o ministro a investidores reunidos em seminário sobre Brasil promovido pelo jornal Financial Times. Afirmando que a mineração é um atividade "mal vista" pelos brasileiros e que em outros países a população se orgulha da atividade mineral, Coelho não mencionou a negligência da mineradora Samarco, responsabilizada pela tragédia em relatório da Câmara dos Deputados divulgado em 2016 e assinado pelo atual ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho. O rompimento de uma barragem da Samarco em novembro de 2015 provocou o vazamento de 62 milhões de metros cúbicos de lama, o que matou 19 pessoas, soterrou centenas de casas, deixou milhares desabrigadas e contaminou o Rio Doce.

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