Onze meses após ser lançado por Marcela Temer, Criança Feliz começa em só 6% das cidades brasileiras

O pequeno Pablo, de 1 ano e 5 meses, ouviu a voz de Joana se aproximando, abriu um sorriso e caminhou apressado em direção à entrada da casa onde vive, em uma área pobre da cidade paulista de Vera Cruz, a 420 quilômetros de São Paulo. O quintal está cheio de produtos que serão destinados à reciclagem, fonte de renda da família de cinco adultos e sete crianças que vive ali. Joana Dias, estudante de psicologia de 21 anos, chegava para uma visita a Pablo no âmbito do Criança Feliz. Enquanto os adultos ainda se cumprimentavam, o menino foi para o local onde as atividades costumam ocorrer, se sentou e balançou os bracinhos, como quem diz "vamos começar, estou pronto". Lançado pela primeira-dama Marcela Temer em outubro do ano passado, o Criança Feliz é uma tentativa do governo impopular de Michel Temer de ter uma vitrine na área social. O programa consiste de visitas a residências com crianças de até 3 anos, que recebem Bolsa Família e estão em condições de vulnerabilidade, como a família de Pablo. Ao completar onze meses, o Criança Feliz está de fato em ação em 6% dos municípios brasileiros - 337 cidades - segundo o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), responsável pelo Criança Feliz. São lugares onde as visitas já teriam começado. É distante da meta de atingir metade das cidades do país - 2.785 - até o final deste ano. O número pode ser menor do que o informado pelo governo Temer. No Rio Grande do Sul, o MDS afirma que são 72 cidades, mas a coordenação gaúcha fala em 44. Em Vera Cruz, uma das primeiras cidades a iniciarem as visitas, o Criança Feliz acaba de completar um mês. Na casa de Pablo, é a quarta visita semanal.

"Eu não tinha esse envolvimento com as crianças. Agora tenho. Isso ajuda no desenvolvimento delas. É muito bom para mim também", diz Tatiane de Oliveira, 30 anos, mãe de seis filhos. Tatiane e a mãe cuidam de dois de seus filhos e mais três sobrinhos com uma renda mensal de cerca de R$ 500, obtida com a reciclagem, além de R$ 341 do Bolsa Família. Pablo é o quarto de cinco filhos de Tatiane, e o primeiro que cresce ao lado dela. Por envolvimento com drogas e violência do pai das crianças, ela perdeu a guarda dos três primeiros, que foram adotados. "Eu mudei bastante. E foi por causa deles", diz Tatiane, dando um beijo na cabeça do filho. A filha mais nova, de 5 meses, também está no Criança Feliz. Um dos objetivos das visitas domiciliares é fortalecer o vínculo familiar.

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