Idoso é exemplo de perseverança na busca pela alfabetização

"Sempre tive vontade de estudar, mesmo que não fosse para ser um doutor. Quero saber, ao menos, assinar meu nome. Deus está me dando essa oportunidade e eu agradeço a Ele todos os dias por isso". A frase é do aposentado Lourival Emídio da Silva, 94 anos, que não esconde a felicidade de ter iniciado no mundo das letras. Natural da cidade de Guarabira, na Paraíba, o idoso residente há 48 anos da capital baiana e é aluno do programa Educação para Jovens e Adultos (EJA) da Escola Municipal Cidade Vitória da Conquista, no bairro de Itapuã, em Salvador. Ele estuda das 18h às 21h e nunca falta a uma aula, como afirma a coordenadora pedagógica do turno vespertino e noturno da escola onde Lourival estuda, Adriana Cecília Correia do Carmo. Ela destaca o desempenho do aluno, que começou a estudar aos 92 anos. "É impressionante a disposição física que ele tem. Não falta as aulas, é participativo, esforçado, gentil e tem um conhecimento de vida admirável. Ele traz muita alegria para gente. E tudo que ele mais quer é aprender a ler para decifrar a Bíblia", disse. O idoso conheceu a Bahia durante um serviço que prestou para uma empresa do estado natal. "Conheço 15 estados, mas o que eu mais gostei foi a Bahia. Me encantei por esse lugar e resolvi morar aqui. Casei com uma baiana e tivemos sete filhos", comentou Lourival, que nasceu em 15 de setembro de 1923. As dificuldades com a falta de conhecimento formal começaram, aos 25 anos, ainda durante o governo do ex-presidente Getúlio Vargas. Na época, ele servia ao Exército, mas foi dispensando por não ter escolaridade. "Tem coisas que marcam a vida da gente. Lembro do dia que fui dispensando porque não sabia ler nem escrever e isso sempre serviu de motivação para eu nunca desistir dos estudos", afirmou. Lourival, que frequenta a EJA há 2 anos, disse que o ingresso na escola se deu por meio de um amigo. "Um camarada sempre dizia para eu ir estudar, mas tinha vergonha, porque não sabia fazer nem um 'O'. Um dia tomei coragem e fui. Hoje estou aqui, aprendendo a juntar as palavras. Já sei até fazer uma parte do meu nome," comentou ele, orgulhoso. O idoso, que trabalhou 15 anos como gari em Salvador, sempre destaca a importância do estudo: "Passo na rua e vejo as crianças sem querer estudar, mas, mesmo assim, eu faço o convite para virem comigo. E sabe o que elas fazem? Riem da minha cara. A mocidade de hoje em dia está perdendo as coisas boas que tem à disposição, porque quando eu tinha a idade delas, nunca tive essa oportunidade. Tudo era muito difícil", lamentou. (A Tarde)

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