Economistas querem fim de diploma obrigatório

Economistas vêm compartilhando na internet abaixo-assinado criticando a obrigatoriedade de cursar uma graduação em economia e estar credenciado no conselho de classe para atuar na área. O manifesto foi lançado no dia 2 de setembro e havia recebido 477 assinaturas até esta quarta-feira (13). Além do diploma, para poder se intitular economista e atuar em cargos restritos a profissionais da área é preciso estar credenciado em uma unidade do Corecon e pagar taxa de R$ 490 anual (caso de São Paulo), sob pena de ser processado por exercício irregular da atividade. O Cofecon (Conselho Federal de Economia) afirma que a obrigatoriedade do diploma protege empresas e governos de prejuízos causados por maus profissionais. Também destaca que a fiscalização é responsabilidade dos conselhos definida em lei. O texto já foi criticado pela Federação Nacional dos Estudantes de Economia (Feneco). Para ela, a ideia, se levada adiante, provocará a queda da qualidade e a fragmentação da profissionais, além de estimular a evasão nos cursos de economia. Alguns dos idealizadores do documento pelo fim da obrigatoriedade do diploma, construído a várias mãos, são Marcos Lisboa, presidente do Insper, e o doutor em economia Adolfo Sachsida. Lisboa diz que parte da crise econômica atravessada pelo Brasil vem da cultura da busca por privilégios e proteções para diferentes setores, o que se apelidou de "cultura da meia entrada". Segundo ele, em um momento em que se defende uma agenda de estímulos a concorrência, cabe à classe econômica dar o exemplo e questionar a reserva de mercado. Outro ponto criticado pelo manifesto é o fato de profissionais graduados em outras áreas, mas que possuem pós-graduação em economia, não poderem exercer cargos reservados à categoria nem se intitular economista. O documento lembra o caso do ex-ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen. Mesmo já tendo livros seus adotados em cursos de economia, teve de fazer uma graduação na área para poder exercer a profissão. Os economistas que lideram o movimento dizem em seu manifesto serem favoráveis a certificações em áreas como medicina e direito. Por outro lado, questionam o fato de a proteção ser efetiva no caso de uma ciência social como a economia, de frequentes debates e divergências entre os especialistas. Sachsida diz que um mau economista pode trazer grandes prejuízos para um país e para uma empresa. Porém, questiona a efetividade de medidas que buscam afastá-los do mercado. "A última equipe econômica do governo [Dilma] era toda formada em economia", provoca, citando a crise vivida pelo país.

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