Mais de 25% das pessoas que moram sozinhas estão endividadas

Um levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) aponta que 93% das pessoas que vivem só não têm ajuda alguma para garantir o sustento da casa. Segundo o IBGE, atualmente são mais de 10 milhões de pessoas que vivem só, número que cresceu quase 40% apenas na última década. É o caso do videomaker Tiago Almeida, 29, que saiu de casa aos 22 para casar e há um ano e meio, com o fim do relacionamento, optou por não voltar para a casa dos pais. Hoje, ele mora em uma casa cedida pela família, no bairro do Dois de Julho, e também sente os dramas do orçamento apertado. "Todas as minhas compras são feitas no cartão de crédito, que dá em média R$ 800 por mês”, conta. Por trabalhar como freelancer, Almeida precisa reduzir ainda mais os gastos para evitar surpresas. Para isso, ele tem fugido dos restaurantes e recorrido à internet para fazer compras e se entreter. “Faço minha própria comida e assisto muitos filmes e séries no Netflix. Além disso, não vou mais a lojas físicas, quando tenho que comprar roupas, sapatos e equipamentos eletrônicos. Faço sempre pelas lojas virtuais, a economia chega a 40%”, diz. 

Única provadora: Quem também precisa se virar sozinha e não conta com ajuda externa é a assistente de coordenação Morgana Magalhães, 29 anos, que há um ano deixou a casa dos pais para morar com a filha Emmi, 2, em um apartamento no bairro de São Lázaro. Segundo ela, ditar as próprias regras foi o que a levou a procurar seu espaço. “Queria um lugar onde pudesse ser mais livre e fazer as coisas do meu jeito. Eu não cabia mais na casa dos meus pais”. A liberdade, por sua vez, cobra seu preço. Morgana conta que no final do mês, o salário mal paga as contas. “Gasto em média R$ 1.500, mas se ganhasse mais certamente gastaria mais. E as minhas principais despesas são o aluguel e o cartão de crédito”, explica. De vez em quando, Morgana pensa em dividir o apartamento para reduzir as despesas. “Quando bate o desespero, penso em dividir apartamento, cheguei a anunciar aluguel do quarto e teve procura, mas não gostei das pessoas que vieram procurar”.

Reduzir despesas: Uma das formas que Morgana encontrou para conseguir economizar foi matricular a filha em uma creche da prefeitura, onde a criança fica enquanto a mãe trabalha. Além disso, quando quer se divertir, ela dá preferência às festas gratuitas. “Não posso ter gastos supérfluos. Com uma filha pequena, preciso estar pronta para uma emergência”. Segundo o levantamento do SPC, quando os recursos são insuficientes, 24% dos entrevistados afirmam mudar hábitos de consumo comprando coisas mais baratas, 22% pedem dinheiro emprestado a amigos ou familiares e 21% fazem cortes no orçamento, como gastos com TV a cabo e supermercados.

25% negativados: Ainda segundo o SPC, 25% das pessoas que moram sozinhas estão no vermelho e não estão conseguindo honrar compromissos. Em média, as dívidas chegam a R$ 1.500 e são provenientes principalmente do não pagamento da fatura do cartão de crédito (36%) e do cartão de lojas (20%). Segundo os entrevistados, o atraso nessas contas ocorreu, principalmente, pela diminuição da renda (23%), empréstimo do nome para terceiros (23%), desemprego próprio ou de alguém da família (22%) e problemas de saúde (20%). O educador financeiro Rodrigo Azevedo aconselha às pessoas que estão devendo o cartão de crédito a jamais pagarem o valor mínimo e, uma vez quitada a dívida, usarem apenas o débito, sempre respeitando os limites financeiros. “Pagar o mínimo é um suicídio financeiro. É tudo que a operadora de cartão quer. Por isso, quem está nessa situação deve pegar o empréstimo mais barato possível e quitar de uma vez a dívida”. Azevedo destaca que os jovens costumam se enrolar mais com o cartão. “O jovem com renda e morando sozinho não costuma ter preocupação com custo do dia a dia, então o dinheiro é gasto na balada e em bens de consumo. E o grande fator de endividamento é o desejo de consumo”, alerta.

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