Livro retrata tradições das festas religiosas na Bahia

Ao longo dos últimos dezesseis anos, o fotógrafo Roberto Faria viu as festas populares da Bahia mudarem suas feições. Do atual excesso de protocolo para lavagem das escadarias do Bonfim, o fim da Lavagem da Pituba até o quase desaparecimento da oferta de caruru nas festas de São Cosme e Damião, o fotógrafo percebeu a necessidade de registrar a memória dessas expressões culturais. O resultado do registro documental e estético pode ser conferido durante o lançamento do livro Bahia dos Deuses e das Crenças, hoje, às 18 horas, no Palácio da Aclamação, com entrada gratuita. O livro retrata 25 festas religiosas em 202 imagens distribuídas por 192 páginas. A edição é trilíngue e a obra poderá ser adquirida no lançamento pelo valor promocional de R$100,00. Depois de hoje, o livro poderá ser adquirido nas principais livrarias da capital. O livro tem início com uma imagem da Festa do Bonfim em 2013 e a de Santa Bárbara em 2007. Considerada uma das maiores festas populares de Salvador, a Lavagem do Bonfim é registrada em 2005, 2008, 2009,2011,2012,2016, reforçando a presença das várias linguagens religiosas presentes na festa desde o seu suposto surgimento no século XIX até hoje, além da forte presença do povo de santo que, atualmente, dialoga melhor com a Igreja Católica. Momentos distintos da Festa de São Lázaro, na Federação, também estão presentes no livro. Mas nem só de festas na capital é feita a obra. A Lavagem de Santo Amaro, a Festa de Cachoeira e outras tantas. 

Outras festas
O processo de documentação não vai parar nas festas mais populares. Roberto Faria pretende lançar um desdobramento do livro com o registro de festas não tão conhecidas do grande público, como a Festa do Divino, em Andaraí, a Procissão de Corpus Christi, em Rio de Contas e a Festa de Reis, em Lençóis, todos na Chapada Diamantina. Confessadamente apaixonado pela cultura do Estado, Roberto vem guardando a memória da Bahia há tempos. Em 2004, lançou o Saveiros da Bahia e o Bahia de Todas as Cores, em 2011. No primeiro, fez questão de abordar uma tradição que vem se perdendo. Os saveiros foram soberanos nas águas da Baía de Todos os Santos e em rios do Recôncavo desde o ciclo da cana de açúcar, no Brasil Colônia, até o final do século XX. No segundo livro, Roberto revela sua vocação como explorador de cores. “A Bahia é um prato cheio para as imagens e isso é o que revelo nesses livros”, conta. O Bahia dos Deuses e das Crenças estará presente nas feiras literárias de Mucugê (em agosto) e Cachoeira (outubro). 

Estéticas e cores
A fotografia surgiu para esse baiano - que já teve trabalhos publicados na National Geographic Náutica, Viagem & Turismo - de modo inusitado, quando atuava exclusivamente como cirurgião dentista, especializado em odontologia estética e capitão da Polícia Militar. “Precisava fotografar o antes e o depois dos tratamentos, mas isso me levou a estudar fotografia e estética”, conta, ressaltando que, hoje, a odontologia é exercida apenas na função do cargo público e que a fotografia começou a dominar toda a sua vida profissional. Roberto lembra que no início, a inspiração veio da obra de Pierre Verger. “Ele fez um trabalho espetacular, mas faltava muito ainda a ser registrado, especialmente as festas religiosas e populares”, conta o fotógrafo que ao longo desses 16 anos reuniu um acervo com 120 mil fotografias. “Chegar as duas centenas de fotos que compõem o livro foi um exercício de síntese, difícil, mas muito interessante”, conta. O projeto para execução do livro foi viabilizado através da Lei Rouanet do Ministério da Cultura e durante a X Reunião da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), realizada em Salvador no início de maio, o livro foi presenteado aos Ministros da Cultura dos países de Língua Portuguesa que estiveram presentes ao evento.

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