FMI reduz projeção de crescimento do Brasil em 2018 de 1,7% para 1,3%

O FMI (Fundo Monetário Internacional) reduziu as estimativas para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em 2018, de 1,7% para 1,3%. Os efeitos da crise política especialmente sobre sobre os investimentos privados explicam o maior pessimismo em relação ao cenário traçado pelo fundo em abril. As projeções feitas em abril indicavam uma alta de 1,7% para a economia em 2018. Em documento divulgado nesta quinta-feira (13) sobre o Brasil, o Fundo elevou a estimativa para o PIB deste ano, de alta de 0,2% para 0,3%. Para a equipe, indicadores econômicos recentes sugerem que a economia brasileira está próxima de um ponto de virada, o que coloca a profunda recessão aparentemente próxima do fim. Segundo o Fundo, um primeiro trimestre mais forte do que o esperado justifica a leve melhora para a projeção deste ano. No entanto, o crescimento muito concentrado nos segmentos de agricultura e de exportações indica que há muito a fazer para a economia se recuperar mais fortemente. Para o FMI, o recente aumento da incerteza política lança dúvidas sobre perspectiva para o país. No médio prazo, a expansão deve se manter ao redor de 2%. A inflação, no entanto, é um fator positivo e abre espaço para que a política monetária siga no sentido de baixar ainda mais a taxa Selic. Para o Fundo, a inflação deve ficar abaixo da meta neste e no próximo ano. Para 2017, a expectativa é que os preços medidos pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) fiquem em 4%.

O FMI diz ainda que capacidade do governo de aprovar a reforma da Previdência, passo necessário para garantir a sustentabilidade fiscal, tornou-se mais incerta e, com eleições programadas para 2018, a janela para mudanças legislativas está se fechando. As projeções pressupõem, no entanto, que um conjunto de medidas suficientemente fortes para garantir a sustentabilidade fiscal será efetivado. O principal risco político é que a reforma da Previdência termine severamente diluída ou postergada para o próximo governo, provocando reações adversas ao mercado no curto prazo e exigindo medidas fiscais adicionais em um prazo mais longo. Do lado externo, os temores são um aperto mais rápido do que o esperado das condições financeiras globais e, com menor probabilidade de ocorrer, uma desaceleração mais forte da economia chinesa. A inflação, diz o FMI, está em trajetória descendente, influenciada pela maior ociosidade na economia, pela queda das expectativas de inflação e por um choque favorável de alimentos. Para o Fundo, a decisão de reduzir a meta de inflação para 4,25% em 2019 e 4% em 2020 deixará o Brasil mais próximo de países com meta de inflação.

A recessão, por sua vez, tem sido o principal fator a puxar o deficit em conta-corrente para baixo e a taxa de juros tem funcionado bem de forma a absorver choques. O FMI lembra que o deficit em conta-corrente caiu para 1,3% do PIB em 2016, em relação a 3,3% do PIB em 2015. Além disso, o país continua a atrair recursos externos. Apesar da recessão, o relatório destaca ainda a saúde do setor bancário, com os lucros em elevação devido a altas margens de juros e menores custos. Para limitar a inadimplência, os bancos continuam renegociando empréstimos. O Fundo reforça ainda a necessidade de a reforma atingir os servidores todos os níveis de governo tendo em vista tendências demográficas desfavoráveis e grandes desequilíbrios atuariais. Os diretores expressaram preocupação com as finanças subnacionais e encorajam as autoridades a continuar a desenvolver soluções duráveis em coordenação com os Estados. E sublinham que outras reformas estruturais, como a do mercado de trabalho e na área de infraestrutura, são essenciais para aumentar o crescimento a longo prazo.

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