SAÚDE: Pergunta e Respostas

O que é hipertensão resistente?
Uma pessoa tem hipertensão resistente ou refratária quando a sua pressão arterial permanece acima de 14 por 9 (14/9), apesar de seguir completamente as orientações médicas para evitar sal, emagrecer, fazer atividades físicas e de tomar ao menos 3 tipos diferentes de remédios para baixar a pressão. Também quem tem que tomar 4 ou mais tipos de medicamentos anti-hipertensivos para conseguir controlar a pressão é chamado de “hipertenso resistente”. Para os pacientes diabéticos ou que têm o funcionamento dos rins diminuído, a pressão considerada normal tem que ser menor que 13 por 8 (13/8).

As causas que mais contribuem para que alguém tenha hipertensão resistente são: obesidade, excesso de sal na comida, idade maior que 55 anos, diabetes, abuso de bebidas alcoólicas e colesterol alto no sangue. Pacientes obesos que roncam muito e têm pausas na respiração durante o sono também podem ter hipertensão resistente. 
Para ter certeza do diagnóstico de hipertensão resistente, é necessário que as medidas de pressão sejam feitas corretamente, a chamada “hipertensão do avental branco” (quando a pressão está alta nas visitas ao médico e é normal em casa) seja descartada e que os remédios anti-hipertensivos estejam sendo tomados todos os dias, nas doses e horários prescritos. Além do tratamento com medicamentos, o hipertenso resistente deve seguir orientações para reeducação alimentar com dieta com pouco sal, redução do peso, cessação do tabagismo, limitação da ingestão de bebidas e realização de atividades físicas.
Usando vários medicamentos em doses altas, os hipertensos resistentes podem ter sintomas inesperados, chamados de “efeitos colaterais”. Na maior parte das vezes, isso não deve ser motivo para parar as medicações antes de consultar o médico. Também devem ser discutidas com o médico questões que possam prejudicar o tratamento, como o custo dos medicamentos e o medo de tomar outros remédios junto com o tratamento prescrito e de queda exagerada da pressão.
Finalmente, sabemos que o benefício do tratamento do hipertenso resistente depende muito mais dele do que da equipe de saúde que o acompanha. Por exemplo, além de seguir corretamente o tratamento com os medicamentos indicados e as orientações gerais feitas, o paciente deve sempre falar a verdade aos profissionais sobre se está ou não fazendo o tratamento como explicado e prescrito. Também, levar, nas consultas médicas, as medidas de pressão anotadas feitas em casa auxilia muito o próprio tratamento.
Heitor Moreno Júnior - Cardiologista e professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp – SP, Brasil - Coordenador do Ambulatório e Laboratório de Farmacologia Cardiovascular e Hipertensão Resistente

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