Reuniões para incluir baiana de acarajé em Classificação Brasileira de Ocupações começam em julho

O primeiro passo para o reconhecimento do ofício de baiana de acarajé como profissão foi dado nesta sexta-feira (16), com a assinatura do termo para iniciar um estudo técnico que precede a inclusão na lista de Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). A expectativa é de que o estudo seja concluído no início do próximo semestre e em seguida, a profissão é incluída na lista. Com a assinatura, serão realizadas reuniões com um grupo de baianas de acarajé e técnicos da Universidade de São Paulo (USP), responsáveis por elaborar a redação que servirá para a inclusão no catálogo. A primeira reunião acontece no dia 3 de julho. “Receberemos no dia 3 de julho técnicos da USP que virão para ouvir as baianas mais experientes, com anos na profissão, que vão descrever todo procedimento adotado, origem, como é feito o procedimento. Tudo isso para a redação que vai ser incluída no cadastro das ocupações”, explica a superintendente Regional do Trabalho na Bahia, Gerta Schultz. De acordo com Gerta, o estudo deve ser feito com mais rapidez, já que o ofício é antigo, então, haverá mais facilidade para a descrição dos processos. Com a inclusão na lista de ocupação, as baianas passam a ter alguns direitos, como a possibilidade de se afastar por acidente de trabalho, algo que hoje não é possível, já que a profissão não é reconhecida. “A primeira coisa é que as baianas vão estar cobertas por acidentes de trabalho. Muitas baianas se acidentam e não pode ser considerado como acidente de trabalho porque a profissão não é reconhecida. A gente tem um caso de uma baiana cega por causa de dendê, e ela não pode se encostar, nem se aposentar, porque alegam que não é acidente de trabalho”, explica Rita Santos, presidente da Associação das Baianas de Acarajé, Mingau e Receptivo da Bahia (Abam). Com a inclusão no catálogo, as baianas agora vão cobrar dos poderes públicos políticas públicas que beneficiem a profissão. “Nos viam como folclore. Não tinha a preocupação em relação a nós como profissionais. Somos cultura sim, mas também somos profissionais e agora isso pode a maneira que os gestores veem a gente”, completa Rita. Além disso, a superintendente da SRTE destaca que também é uma maneira de dar dignidade às profissionais e tem diversos desdobramentos, como a diminuição de conflitos religiosos. “O Estado precisa ter um olhar mais atento sobre essas profissionais, uma visão mais objetiva do que é uma baiana. Com isso podemos afastar também conflitos religiosos. Quem quiser ter a profissão de baiana terá que respeitar que é um sincretismo sim, mas a gente quer eliminar esses conflitos religiosos”, afirma. Durante o evento nesta sexta, a secretária da SPMJ, Taissa Gama afirmou que a proposta foi aceita desde o início de forma afetiva por todos e antecipou novos projetos que vão além do reconhecimento da profissão. “O nosso trabalho busca não só o reconhecimento, mas cursos de capacitação para estas mulheres, o padrão da vestimenta como manutenção da cultura e tradição e, principalmente, o cuidado com a saúde no exercício do trabalho. Tudo isso está na nossa pauta de prioridade”.

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