Ilhas e áreas costeiras povoadas concentram maior número de espécies invasoras

Ilhas e áreas costeiras povoadas são os pontos mais concorridos para espécies invasoras, que podem derrubar ecossistemas inteiros e levar animais e plantas locais à extinção, informou um estudo nesta segunda-feira. O primeiro censo global de fauna e flora não nativas encontrou as maiores concentrações no Havaí, na Ilha Norte da Nova Zelândia e nas Pequenas Ilhas da Sonda da Indonésia. O Havaí é assolado por espécies exóticas – incluindo ratos e porcos selvagens – em cada uma de oito categorias que incluem répteis, peixes, formigas, aranhas, mamíferos e anfíbios. Mosquitos portadores de doenças que chegaram no início do século XIX exterminaram metade das aves tropicais da ilha e ameaçaram várias outras espécies. A Flórida é a região mais afetada do continente americano, enquanto a costa da Califórnia e o norte da Austrália também apresentam espécies exóticas em abundância. O novo mapa das espécies intrusas revela a forma como elas chegaram lá, disse Wayne Dawson, biólogo da Universidade de Durham, no nordeste da Inglaterra, e autor principal do estudo publicado na revista científica Nature Ecology and Evolution. “Nós mostramos que as regiões com maior densidade populacional humana e maior riqueza têm mais espécies exóticas estabelecidas”, disse à AFP. Nem todos os seres vivos que se estabelecem em solos ou águas estrangeiras causam danos. Mas os que causam estão entre os principais fatores – junto com a perda de habitat, caça, poluição e mudanças climáticas – de declínio da vida selvagem em todo o mundo, dizem os especialistas. Os recém-chegados com frequência marginalizam as espécies nativas: a carpa asiática hoje domina alguns rios dos Estados Unidos, e os esquilos-cinzentos substituíram os vermelhos nos parques de Londres, por exemplo. A maioria esmagadora de espécies invasoras é levada para novos lugares pelos humanos – em alguns casos propositalmente, para o controle de pragas. Mais frequentemente, criaturas invasoras se espalham pegando carona em carregamentos de mercadorias. As águas de lastro em navios de carga também transportam milhares de espécies aquáticas, incluindo bactérias e vírus, em todo o mundo diariamente. Nos termos de um tratado internacional que entrará em vigor em setembro, todos os grandes navios serão obrigados a ter equipamentos para tratar suas águas de lastro. “Estamos criando uma nova Pangeia”, afirmou Dawson, referindo-se ao supercontinente que juntou a maioria das massas terrestres do planeta há cerca de 335 milhões de anos. “As consequências de um continente virtual como esse são profundas: a criação de novas comunidades com misturas de espécies de todo o mundo, ecossistemas alterados e extinções de algumas espécies”, disse à AFP. Há também impactos financeiros. Um estudo liderado por cientistas franceses, publicado no ano passado, concluiu que os insetos invasores causam danos de pelo menos US$ 77 bilhões a cada ano. Para o novo estudo, Dawson e uma equipe internacional de pesquisadores analisaram dados sobre espécies invasoras em 186 ilhas e mais de 400 regiões continentais. O Centro de Agricultura e Biociências Internacional catalogou mais de 8.000 espécies invasoras, embora esse número sem dúvida seja subestimado, disse Dawson.

0 comentários:

Postar um comentário

©Site fundado: 09/10/2008 - Por: *Valter Egí - Todos direitos reservados à Jacobina News*