Brasil é o terceiro país menos competitivo do mundo

O Brasil caiu dez posições nos últimos cinco anos no ranking de países mais competitivos do mundo, elaborado pela escola de negócios suíça IMD desde 1989. O país ficou em 61ª lugar entre as 63 economias avaliadas, perdendo apenas para Mongólia (62) e Venezuela (63). Atualmente considerado o segundo pior da América, o Brasil estava na 57ª posição no ano passado. No que diz respeito à performance econômica, foi ultrapassado por 17 países nos últimos cinco anos: da 42ª colocação, em 2013, passou para a 59ª, este ano. O ponto que mais que trava a competitividade brasileira, concluiu o estudo, é a crise política e econômica, sendo a corrupção um dos componentes de destaque no mau desempenho do país. "Era esperado ver países como Ucrânia (60), Brasil e Venezuela aqui, porque se ouve falar muito sobre os problemas políticos desses países nos noticiários. Eles são a raiz da baixa eficiência governamental que os puxa para baixo no ranking", explicou o diretor do Centro de Competitividade do IMD, Arturo Bris. Exceto o Chile, que subiu da 36ª para a 35ª posição, todos os países da América Latina caíram no ranking, devido principalmente à fraca performance econômica e à piora da eficiência governamental. O Brasil sofreu ainda com a baixa eficiência do setor privado -- problema também observado na Argentina, que caiu da 55ª para a 58ª posição -- e com a situação ruim do mercado de trabalho, que também afetou o México (da 45ª para a 48º). Um dos objetivos do país, caso pretenda subir no ranking, deve ser reconquistar a confiança internacional. A IMD elencou como desafios do Brasil para 2017 acelerar a recuperação econômica e modernizar as regulações, por meio das reformas estruturais. 

Para chegar à lista, são levados em conta 260 indicadores, sendo que cerca de dois terços deles vêm de dados quantitativos, como índice de emprego e estatísticas governamentais. A outra parte é baseada em uma pesquisa de opinião que ouviu mais de 6 mil executivos para medir a percepção deles sobre assuntos como corrupção, problemas ambientais e qualidade de vida. “Nós pedimos aos participantes que citassem os pontos positivos e os negativos do país, em termos de atratividade. A maioria elogiou as atitudes abertas e positivas e o dinamismo da economia brasileira. O que foi mais criticado foi a competência do governo", disse Christos Cabolis, economista chefe e líder de operações do Centro de Competitividade do IMD. No quesito "eficiência governamental", o Brasil foi da 58ª para a 62ª posição nos últimos cinco anos, ficando abaixo apenas da Venezuela em 2017. Problemas muito citados pelos empresários foram propinas e corrupção, além da burocracia, ressaltou Cabolis. 

Em primeiro lugar no ranking, ficou novamente Hong Kong, pelo segundo ano consecutivo, com destaque para a boa infraestrutura do país. Os Estados Unidos caíram em 2017 e saíram do top 3, ficando em quarto entre os mais competitivos. Singapura, que ano passado estava em quarto, passou a ocupar o terceiro lugar do pódio. Segundo a IMD, as diferenças entre os melhores colocados são muito pequenas, o que faz com que seja comum acontecer esse tipo de mudança. O diretor do Centro de Competitividade, Arturo Bris, observou que os países que subiram no ranking mantiveram um ambiente atraente para os negócios, "o que encoraja abertura e produtividade", disse. A melhora da China, por exemplo, que subiu sete posições e alcançou o 18º lugar em 2017, "pode ser explicada pela dedicação do mercado chinês ao comércio internacional", afirmou Bris. Segundo o economista chefe do Centro de Competitividade, Christos Cabolis, não existe uma "receita" para ficar entre os melhores. "Vários pontos são levados em conta. No top 10 da lista, por exemplo, tem países com modos de produção e sistemas políticos diferentes. Não há necessariamente um caminho a ser seguido", explicou.

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