Interior é destaque em geração de empregos na Bahia

Dados observados nos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam a tendência de que neste ano as vagas com carteira assinada na Bahia devem se deslocar dos centros urbanos para municípios com maior vocação para a agropecuária. Segundo o economista Gustavo Etkin, analista da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI),as razões para este movimento é a recuperação das lavouras dos efeitos mais rigorosos da seca, por um lado, e a lenta reação dos setores da Construção Civil e do Comércio Varejista frente aos impactos da crise econômica, por outro. Em abril, os dois municípios com maior saldo de criação de empregos com carteira assinada (forma de empregabilidade medida pelo Caged) foram Itamaraju, no Extremo Sul da Bahia, com 1.305 (1.510 contratações menos 205 demissões) e Eunápolis, 1.087 (1.782 admissões contra 695 desligamentos). A soma dos novos postos criados apenas nestes dois municípios, 2.392, corresponde a praticamente um terço - 33,25% - do saldo de 7.192 posto formais criados pela Bahia no mês passado.

Segundo Etkin, esse resultado se deve ao início da colheita da safra de café, em um movimento de criação de vagas que deve se repetir até o mês de setembro, inclusive se refletindo no comércio dessas cidades. Com maior número de empregados no campo, o varejo destas cidades deve vender e contratar mais, pelo menos até o fim do ciclo da colheita, acredita o economista.

Saldo anual
No ano, entre janeiro e abril, Itamaraju é o segundo município baiano que mais criou vagas formais, um total de 1.307. Nesta lista, Eunápolis aparece em quarto, com um saldo de 913. A liderança neste ranking é de outra cidade com a economia baseada na agropecuária, Luís Eduardo Magalhães, na região Oeste, 1.360 vagas. Em compração, as três cidades com maior saldo negativo em termos de criação de postos ( com mais demissões que contratações) no ano são Salvador (- 5.253), Lauro de Freitas (-1.235) e Feira de Santana (-1.007), todas centros urbanos onde setores como Comércio e Serviços têm importante participação na geração de empregos. O ranking com as cidades que mais ganharam ou perderam vagas de carteira assinada pode ser visto abaixo.

Para Etkin, as grandes cidades da Bahia, principalmente Salvador, ainda vão sofrer os efeitos da crise no mercado de trabalho. Entre os motivos listados por ele estão o contingenciamento de investimentos públicos e privados impactam negativamente no mercado de trabalho, que restringe a abertura de postos de trabalho, especialmente os formalizados; a dificuldade de acessoa ao crédito, que dificulta as vendas do comércio e na Construção Civil; e a queda de renda do trabalhador, que o faz comprar menos no varejo. "As vagas que estão sendo criadas têm salário menor. Há uma substituição de um trabalhador que ganhava mais por outro que vai ganhar menos", observa.

As vagas criadas no interior, especialmente aquelas do setor agropecuário, também são caracterizadas pela baixa remuneração, um salário mínimo por mês em média de acordo com Etkin. "São vagas que exigem pouca qualificação", justifica. "E embora sejam de carteira assinada, não há garantia de que a contratação terá continuidade após o fim da colheita", completa. Para ele, a criação do chamado emprego de qualidade (aquele que exige mais qualificação e tem maior remuneração, sendo mais comuns na indústria e nos serviços) depende da conjuntura política e não é possível prever se e quando vão reagir. "São vagas que dependem das expectativas, dos índices de confiança", argumenta. "Na minha opinião, as reformas que estão em pauta privilegiam a criação de empregos de baixa qualificação e remuneração", conclui. (Correio)

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