Dolly reabre fábrica, e contador admite desvio de dinheiro de impostos

A Dolly, que teve unidades de suas engarrafadoras fechadas na última quinta-feira (17) como resultado da Operação Clone, da Secretaria da Fazenda de São Paulo, firmou acordo com a pasta para retomar as atividades. A empresa afirma ter sido vítima de desvio de pelo menos R$ 100 milhões causada por Rogério Raucci, sócio do escritório de contabilidade Raucci & Domingues, que prestava serviços à empresa desde 2001. O esquema, segundo a Dolly, veio à tona a partir de depoimento de Esaú Domingues, que possui 1% das ações do escritório de contabilidade.Em depoimento para o Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público de SP) feito no dia 15 de maio, Domingues relatou um esquema no qual o dinheiro que deveria ser usado para pagar impostos era desviado para o escritório de contabilidade. Para isso, eram usados recibos de pagamento de impostos falsos criados por Raucci, segundo Domingues. Segundo Laerte Codonho, presidente da Dolly, Raucci era homem de confiança da empresa e as fraudes só foram descobertas neste ano. Porém havia indícios, entre eles o fato de o contador ser dono da equipe de automobilismo RR Racing Team e ter filhos competindo na Fórmula 3 e na Fórmula 4, o que não seria condizente com seu padrão de rendimentos. Codonho diz que, embora estranhassem o fato, só descobriram a fraude recentemente. O empresário afirma que também foram falsificadas decisões a respeito de ações trabalhistas, com a participação do ex-advogado da Dolly Luis Alberto Travassos. O objetivo era criar punições falsas para desviar os recursos da empresa. A reportagem tentou entrar em contato com Raucci, por telefone e e-mail, e Travassos, em seu telefone celular, mas não obteve resposta até as 18h30. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Domingues disse que se tornou sócio de Raucci em 2001, quando era funcionário da Dolly, por sugestão de outro contador que atuava na companhia naquela época. Ele diz que Raucci também trabalhou na Dolly até a metade de 2016. Era encarregado da contabilidade e do setor jurídico das empresas do grupo e tinha total confiança da direção da companhia. "Era praticamente um braço direito", diz. Também afirma que a Receita estadual encaminhava notificações para as empresas relacionadas à marca Dolly, mas o endereço eletrônico constante no cadastro do fisco como sendo das empresas era o e-mail do escritório de contabilidade dele e de Raucci. Domingues tem ensino superior incompleto e é técnico contábil. Ele diz ter percebido desvios desde 2008, mas afirma que não falou nada por ser subordinado a Raucci, assim como o advogado Travassos. No depoimento, ele afirma que, por sua participação no esquema, emitia cheques da empresa de contabilidade para sua conta, em valores entre R$ 20 mil e R$ 40 mil.

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