Plástico já entrou na cadeia alimentar terrestre, mostra estudo

Uma equipe de cientistas mexicanos e holandeses documentou pela primeira vez a entrada de microplásticos na cadeia alimentar terrestre, graças a um estudo de campo desenvolvido na reserva ambiental de Los Petenes, no México. Os pesquisadores apresentaram os resultados durante uma reunião da União Europeia de Geociências. Apesar de há anos existirem estudos sobre a entrada do plástico na cadeia alimentar marinha, este seria o primeiro a documentar o fenômeno no entorno terrestre, segundo explicou a cientista mexicana Esperanza Huerta, do centro de pesquisa Colégio da Fronteira Sul (ECOSUR, na sigla em espanhol). Ela coordenou a pesquisa junto a cientistas da Universidade de Wageningen, na Holanda. De acordo com a pesquisadora, devido à falta de recolhimento e gestão dos plásticos, os habitantes de Los Petenes queimam os resíduos e os enterram no chão de suas hortas, aumentando o risco de microfragmentação.Leia mais...
Analisando o solo, as minhocas e as fezes de galinhas domésticas de dez hortas na reserva mexicana, a equipe detectou a presença de plástico na terra e até dentro dos animais terrestres – o que, considerando que eles são uma fonte de alimento para muitas pessoas, representa um risco à saúde humana. Huerta explica que as minhocas acabam ingerindo o plástico junto com a terra. Assim, quando são devoradas pelas galinhas, transportam essas substâncias para dentro do estômago e das moelas das aves, que, por sua vez, são ingeridas por humanos. Também é possível que as galinhas se contaminem diretamente, ingerindo plástico do solo ao beliscar pedaços que estão aderidos a restos de comidas. Huerta assegurou que, considerando que Los Petenes é uma reserva ambiental e seus habitantes recebem educação para cuidar do meio, é possível que em outros entornos a situação seja inclusive pior. O grande problema, para a pesquisadora, é o costume de queimar os plásticos, o que agrava a contaminação. “Pensam que ao queimá-lo resolveram o problema. Mas a situação é que ele fica acessível aos invertebrados do chão, e se for acessível para eles, é também para o resto da cadeia alimentar”, resumiu. As moelas das galinhas, que, segundo os cientistas, também tinham concentrações de microplástico em seu interior, são usadas em diversos pratos tradicionais mexicanos. A pesquisadora apontou que as pessoas com as quais falou confessaram não limpar as moelas por dentro, lavando somente por fora e cozinhado logo em seguida, prática que pode, facilmente, levar à contaminação de uma pessoa. Sobre qual seria a real consequência do consumo de plástico para a saúde humana, a pesquisadora indicou que são necessários mais estudos a respeito, mas o considerou um “grande risco”. Para as minhocas, no entanto, os efeitos são mais claros. Huerta, que é especialista no estudo desses invertebrados, diz que, dependendo da concentração e do tempo de exposição ao plástico, a mortalidade aumenta de forma considerável e a fertilidade dos animais se reduz. Embora o acesso ao plástico tenha melhorado a vida das pessoas, afirma a professora, sua escassa degradação é um grande problema e deve ser motivo de preocupação, evidenciando a necessidade de algum tipo de regulamentação internacional para evitar doenças. (EFE)

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